Maternidade preservada

Autor: Ligia Fernanda Previato Araujo

Data: 29/07/2009

Projetos pessoais, a busca do sucesso e da estabilidade profissional colocam a mulher moderna frente a um grande dilema: a hora de ser mãe! Sabemos que a estabilidade profissional costuma acontecer por volta dos 35 anos. Idade em que o relógio biológico avisa: “sua fertilidade está diminuindo”.



O declínio da fertilidade feminina geralmente acontece aos 35 anos e se acentua quando a mulher chega aos 40. Quanto maior a idade, maior a probabilidade do gameta feminino apresentar disfunções de ordem genética, gerando bebês com problemas. O mais comum deles é uma anomalia cromossômica, a trissomia do 21 (Síndrome de Down).



Muito diferente de nossas avós, que tinham bem determinado seu papel na sociedade, ou seja, casar, ter filhos e passar a vida em função deles, hoje as mulheres almejam sucesso profissional e também construir uma família. Como mãe de duas crianças e como profissional que ajuda a trazer bebês a esse mundo, acredito que dá, sim, para conciliar as duas coisas.



Para quem quer ou precisa adiar a maternidade, uma alternativa é a congelação dos óvulos para uso posterior. A utilização desse recurso tem, inclusive, a nobre missão de preservar a fertilidade de mulheres que precisam submeter-se a tratamentos à base de quimioterapia, radiação ou uso de medicações que comprometam parcial ou totalmente sua fertilidade.



A congelação de óvulos é uma rotina em nossa clínica, por todos esses fatores já citados e por questões polêmicas, como congelar embriões excedentes dos tratamentos de fertilização. Nem sempre o casal se sente seguro ou confortável em congelar embriões. Ao invés disso, congelamos óvulos. Isso torna a questão mais fácil, pois trata-se apenas de um gameta.



A técnica é rápida, porém extremamente minuciosa, exigindo muito cuidado e experiência profissional. O óvulo é uma célula muito sensível e uma simples alteração pode pôr tudo a perder. Como técnica de congelação, usamos a vitrificação, onde o óvulo é desidratado através de sua exposição em soluções específicas, que evitam a formação de cristais de gelo intracelulares, preservando assim a arquitetura e integridade celular.



O material é armazenado em contêiner de nitrogênio líquido por tempo indeterminado. Quando o momento da maternidade chegar, esses óvulos são colocados em meios de cultura especiais que imitam os fluídos tubáreos, descongelados e inseminados com o sêmen do parceiro.

A descongelação de óvulo aliada à injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) nos proporciona uma chance de gravidez em torno de 30%, dependendo de cada caso. Acho uma bênção termos em mãos tamanha tecnologia a favor da qualidade de vida. Você pode não querer ou não poder ter filhos agora. Mas, depois, com a chegada da maturidade, no caminhar da vida, vai sentir a estrada tornar-se calma e, na paisagem, faltar um colorido especial. Então, merecidamente, você poderá desfrutar da dádiva de ser mãe.

 

 

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