OMICS, uma evolução da reprodução humana assistida

Autor: Dr. Edilberto de Araujo Filho

Data: 3/3/2010

Apesar da melhora dos regimes de estimulação ovariana e das técnicas de fertilização in vitro, pacientes e clínicos ainda são frequentemente confrontados com o problema frustrante de embriões de alta qualidade que não implantaram. Embora os embriões sejam vistos como os determinantes primários do sucesso de implantação, o papel do endométrio tem sido valorizado com freqüência crescente.

Até o momento, o nosso entendimento de como o endométrio se prepara e modula para a implantação tem sido largamente baseado em modelos ‘in vitro’ e animal. Está claro que estes dados representam somente parcialmente as situações humanas ‘in vitro’. Porém, novas maneiras de avaliar a receptividade endometrial ‘in vitro’ são necessárias para que possam ser aplicadas clinicamente.

Com o advento de novas ferramentas diagnósticas capazes de quantificar milhares de gens e produtos genéticos aliadas a técnicas como ensaios genômicos globais e analises proteômicas, surge uma nova maneira de abordar esse assunto com grande esperança no meio da reprodução humana assistida.

Abrindo uma janela maior no endométrio, tecido no qual o embrião se implanta dentro do útero, os ‘OMICS’ (Genomas e Proteomas) podem ampliar nosso conhecimento sobre o que constituí a receptividade do endométrio a nível molecular e como intervenções terapêuticas podem modular a receptividade ao embrião.

Vários estudos foram publicados demonstrando a relação entre a expressão de diferentes gens durante todo o ciclo menstrual. Diferenças entre a expressão de gens têm sido identificadas entre o endométrio proliferativo (pré-ovulação) e secretor (pós- ovulação).

O impacto da estimulação ovariana na expressão dos gens no endométrio já foi objeto de estudos. Demonstraram, recentemente, que as diferentes técnicas de estimulação ovariana para fertilização ‘in vitro’ desvalorizam a expressão dos gens no endométrio durante a fase peri-implantatória, particularmente aquele gens envolvidos na adesão celular, na sinalização dos receptores de células positivas e regulação de sinais.

No entanto são as proteínas produzidas pelos gens que interagem com o embrião. Sendo assim, como cada gen pode produzir mais de uma proteína, faz sentido estudá-las.

Proteomas são perfis de expressão protéica que podem ser estudadas a nível de endométrio para determinar quais proteínas são produzidas em maior e menor quantidade na fase de implantação do embrião. É preciso tentar associá-las com maior ou menor chance de sucesso de gravidez. Para isso temos que determinar qual é o perfil de proteínas que mais favorece a implantação do embrião. Como coletar essas proteínas no mês do tratamento da paciente, sem lesar o local onde o embrião irá implantar, é o maior desafio.

O método mais promissor é a aspiração das secreções endometriais para análise protéica em aparelhos de analise de microproteinas (multiplex array). O outro desafio é correlacionar essa enorme quantidade de proteínas de expressão genética com o ciclo menstrual, determinando quais favorecem ou não a implantação do embrião para que possamos usar na nossa prática clínica diária.

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